@ Largo dos Lóios, Porto Nesta cidade, a vida surge e traz consigo recantos encantados. Os detalhes estão entalhados nas suas veias e nas suas artérias, as ruas. Esta cidade vive da surpresa, vive do surpreendente e do surpreendido. Cada passo alimenta-se de uma certeza única: nada no passo seguinte é certo; é certo que não é errado, mas é incerto, certamente. Nesta cidade, os nomes fundem-se e abraçam-se uns nos outros. São os mesmos não o sendo. São iguais na profundeza do retrato. O meu nome é este. Sim. É meu porque me cruzei com ele e porque me abraçou. O meu nome é este. Talvez. Meu porque é o que tenho, mesmo que outros o tenham também. Esta cidade é luz vaga e uma personificação imensa; é um corpo absortivo de emoções, com membros que não se estagnam e não se estragam e não se escapam, mesmo que se esfumem e se esfarrapem para serem mais. Cantava-o o poeta sobre Coimbra, mas hoje canto-o eu sobre o meu Porto: "segredos desta cidade levo comigo p'rá vida" e nunca esquecerei que, num qualquer recanto teu por onde passei, "levas em ti guardado o choro duma balada".