quarta-feira, 10 de junho de 2015

#437


Reflexo.
@ "Good Mark", Penafiel


"Não me mostres o teu lado feliz,
a luz do teu rosto quando sorris.
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
como se viesses do fundo de um sonho.

(...)

Tiremos à expressão todo o dramatismo,
por ser p'ra ti, eu uso um eufemismo:
toda a alma tem uma face negra,
nem eu nem tu fugimos à regra!"

(in "Lado Lunar" by Rui Veloso)


terça-feira, 9 de junho de 2015

#436


Para guardar.
@ "Lita Hairstylist", Paço de Sousa, Penafiel
     

Por vezes a dificuldade,
pois só ela nos faz sentir vivos.
Por vezes a simplicidade,
porque só ela nos acrescenta.
Por vezes a ingenuidade:
não se eterniza,
mas que se mantenha.


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Somos corpo inteiro:
meio vazio ou meio cheio,
mas corpo inteiro. Sempre!


segunda-feira, 8 de junho de 2015

#435


Quem não tem cão, come sozinho!
@ Cete, Paredes


"Não há fome que não dê em fartura",
eu cá sempre ouvi dizer.
E caminhar fica uma aventura,
para não calcar "o comer".


domingo, 7 de junho de 2015

#434


Início de tarde com elas.
@ minha sala


     A avó de pernas ao alto, que isto das varizes tem mesmo que se lhe diga.
     A mãe sentada no sofá do lado. Até porque tem que esperar que o pai se despache.
     A Cristina® sobre as pernas. A revista, note-se. Até porque a Ferreira, aos domingos, Dança com as Estrelas e não tem tempo para passar cá por casa.


sábado, 6 de junho de 2015

#433


Quem sujo ama, trata de o lavar!
@ meu terraço


     Tudo pode ter poesia, bem sei. Mas estas fotos não serão acompanhadas de tal. Até porque, na verdade, elas são apenas retrato de um daqueles momentos da tua vida em que, inevitavelmente, és obrigado a tratar de "puxar o lustro" à tua viatura. Não vá a dita cuja ser apelidada de "cinzenta" ou "preta" ou, simplesmente, "toda suja" ou mesmo "badalhoca" quando, na realidade, ela é é espetacularmente castanhinha e aprumada... ou deveria! ;)


sexta-feira, 5 de junho de 2015

#432


Fragmentos - parte III
@ Largo dos Lóios, Porto


Desfeito em mil estilhaços,
poso perante o espelho.
Anseio pelos abraços,
que me levem os cansaços
e me façam menos velho.

Todos temos uma idade
(ou então umas duas ou três):
porque nem sempre há vontade
de agir em conformidade
com aquilo que tu, daí, vês.

Não penses que sabes tudo.
Na verdade, não sabes nada!
Não especules se estou mudo
nem imagines se me desnudo
quando me sinto trovoada.

Fragmenta-te. Eu também.
E tantas vezes sem o querer.
Parto-me, reparto-me em cem;
multiplico-me, vou mais além.
Sou assim. E hei de ser.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

#431


Fragmentos - parte II
@ Largo dos Lóios, Porto

     
     E, depois, já não és quem foste sempre.
     Porquê?
     Não questiones. Não merece a pena.
     Até porque não voltarás a beber da mesma tinta,
     essa que, em tempos, te pintou o rosto.
     Nem voltarás a queimar-te na mesma chama,
     essa que, outrora, foi a que te incendiou a alma.
     Não procures em baús,
     não subas às águas-furtadas,
     não caves túneis no passado
     nem enveredes por caminhos velhos.

          És quem és agora. Só.
          E se o és, a ti o deves.
          (Mas sem ilusões, não só a ti!)
          És quem te permitiste ser
          de cada vez que as circunstâncias te cercaram
          e te amarraram o pensamento.
          Mas és, acima de tudo, quem te permitiste ser
          em todas as alturas em que o pensamento foi livre
          e se fragmentou
          e se elevou
          e se entregou nas tuas mãos.